1º de junho com “Um soco no peito de toda imprensa”

A repórter da TV Globo, Delis Ortiz, afirma ter sido agredida com um soco no peito.
Por Bruna Calazans

O Dia Nacional da Imprensa, celebrado nesta quinta-feira (1º), coloca em evidência a insegurança no exercício da profissão, na mesma semana em que profissionais são agredidos em coletiva de imprensa durante a cúpula de presidentes sul-americanos, no Palácio Itamaraty, em Brasília, na última terça-feira (30). A repórter da TV Globo, Delis Ortiz, afirma ter sido agredida com um soco no peito.

“A imprensa não pode aceitar isso em lugar nenhum no mundo. Levei um soco no peito, na parte da cartilagem, que prende a respiração. Esse tipo de soco é de gente que quer fazer isso, não é sem querer. Fora a sensação de impotência, de violência que você sente na pele. Um soco no peito de toda imprensa. Agrediu todo mundo, de uma só vez”, relatou Ortiz.

O tumulto iniciou quando a imprensa estava posicionada para entrevistar os chefes de Estados que deixavam a reunião, na passagem do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, profissionais foram agredidos por agentes da equipe de segurança.

Presidentes Lula (Brasil) e Nicolás Maduro (Venezuela) | Cúpula de presidentes sul-americanos. Foto: O Globo

Em nota, o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) lamentou o episódio e se solidarizou com a jornalista, informando que os fatos serão apurados. “A respeito do incidente veiculado na imprensa, ocorrido no Palácio do Itamaraty, em 30 de maio de 2023, durante a Reunião de Presidentes dos Países da América do Sul, o Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República informa que foi instaurada sindicância, por meio da Portaria nº 12-Sind/DGES/SE/GSIPR, de 31 de maio de 2023, a fim de apurar os fatos.”

 A Associação Brasileira de Imprensa também emitiu uma nota se solidarizando com os jornalistas agredidos e pedindo rigorosa apuração do caso e punição dos agressores, para que atos semelhantes não se repitam. “A Associação Brasileira de Imprensa repudia as agressões sofridas por jornalistas brasileiros e estrangeiros durante declaração do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, na terça-feira (30), no Palácio do Itamaraty, em Brasília, se solidariza com eles e pede providências do Gabinete de Segurança Institucional e da Secretaria de Imprensa da Presidência da República para que tais fatos não mais se repitam.”

Liberdade de Imprensa no Brasil

O Relatório “Violência contra Jornalistas e Liberdade de Imprensa no Brasil”, publicado pela Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), aponta um total de 376 casos de violência contra jornalistas e veículos de comunicação no Brasil, no ano 2022. Agressões diretas aos profissionais continuam sendo registradas de forma crescente em todo o país.

Enquanto a descredibilização da imprensa aparece como a violência mais frequente em 2022, ocorrências de ameaças e tentativas de intimidação aparecem na segunda categoria com maior número de registros. Na Bahia, pelo menos 14 jornalistas foram alvo de violência no mesmo ano, liderando entre os estados do Nordeste. Logo no início de 2023 dois casos ganharam repercussão, as agressões contra jornalistas e profissionais das equipes da TV Aratu e TV Itapoan.

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